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Zezé Di Camargo e Luciano celebram 30 anos e contam que ‘É o Amor’ foi inspirado em Maria Bethânia

Written by on 21 de abril de 2021

Fonte: Quem Acontece

O refrão “É o amor que que mexe com minha cabeça e me deixa assim”, cantado por Zezé Di Camargo e Luciano, conquista gerações há 30 anos. Ao contrário do que muita gente imagina, a canção, que marcou o início da dupla, não foi inspirada em uma história de amor dos cantores na época. Zezé a escreveu inspirado por Maria Bethânia.

“Antes de escrever É o Amor, eu estava andando na rua e pensava na música Negue, de Maria Bethânia, e justamente naquela parte: ‘Negue o seu amor e o seu carinho. Diga que você já me esqueceu’. Quando cheguei em casa, sentei no chão, peguei o violão e saiu assim: ‘Eu não vou negar que sou louco por você, tô maluco pra te ver, eu não vou negar’. Esse trecho me veio na cabeça como uma resposta à música de Maria Bethânia. Sou fanático por ela. Ela não canta, ela declama uma prece! Ela pode gravar até Mamãe eu Quero, que ficará absurdo de bom”, explica Zezé.

“Quando o Zezé começou a escrever, eu estava do lado dele. Ele colocou a alma na letra e veio tudo intuitivamente em 40 minutos. Mas ele encrencou no refrão. Ele tinha a melodia, mas a letra não vinha. Fui dormir. No outro dia, ele mostrou a música completa, que veio de madrugada para ele. Fiquei impressionado. Acrescentamos na fita cassete que a gente já tinha gravado em estúdio. Era a única música apenas em voz e violão. Antes, para não comprometer o som do vinil, tinha que gravar 12 músicas no máximo, mas o nosso saiu com 13 na compensação. Ainda bem que tinha música de 2 minutos e deu para colocar mais uma, senão É o Amor não estaria lá”, conta Luciano.

Três décadas após a chegada da música nas rádios, É o Amor acumula mais de 70 regravações, incluindo versões em hebraico e russo, somando mais de um bilhão de execuções no mundo, segundo dados do ECAD.

SUCESSO
O sucesso imediato mudou por completo a vida de Zezé e Luciano, que nasceram em uma humilde família em Pirenópolis, Goiás. Na época com apenas 18 anos, Luciano relembra como foi lidar com a fama.

“O Zezé cantava há muito tempo e já vinha buscando o reconhecimento do trabalho. Mas para mim foi tudo muito rápido. Pensei em gravar e virei sucesso. Da noite para o dia, o adolescente virou o cara querido, que chegava nos lugares e gerava tumulto. Lembro que fui a um shopping em São Paulo com uma funcionária e ela saiu de lá com o cabelo todo desgrenhado porque a mulherada subia na gente. Praticamente parei o shopping. Logo de cara fomos chamados para gravar um especial de fim de ano na Globo. Eu era um menino e só pensava em comprar vídeo game, dar bicicleta para sobrinho… Não tinha noção de toda a grandiosidade que a gente estava vivendo. De certa forma, isso me ajudou a não me tornar arrogante, a não me deslumbrar. A seriedade que o Zezé levava esse momento que ele buscou por tanto tempo, me fez amadurecer rapidamente.”

O prazer em cantar e estar em contato com os fãs eram tão grandes para a dupla, que Luciano conta que só lembra de ter sentido uma única vez o lado negativo da fama, quando seu irmão Welington Camargo foi sequestrado e teve um pedaço da orelha cortado durante os 94 dias de cativeiro, no final da década de 90.

“Sou uma pessoa privilegiada por tudo o que conquistei profissionalmente. Nunca passei perrengue. O único momento em que senti o lado ruim da fama foi quando meu irmão foi sequestrado. Mas consegui realizar nesses 30 anos todos os meus sonhos profissionais. Se eu quisesse parar hoje, não precisava mais correr atrás de nenhuma conquista.”

PROJETOS
Para celebrar os 30 anos de dupla, uma série vem sendo produzida com novas releituras de sucessos como É o Amor com Luan Santana, um grande fã de Zezé e Luciano. A produção deve ser lançada em novembro.

“Nesse projeto da série, convidamos cinco artistas para escolher uma música nossa e dizer o que ela representa para cada um deles. Sendo assim, foi o Luan quem escolheu É o Amor, porque é simbólica para ele, que nasceu em 1991. Aos 3 anos, a primeira música que tocou e cantou foi uma nossa. Ele nasceu com o É o Amor”, conta Zezé.

APOSENTADORIA
Aos 58 anos, Zezé diz não pretender se aposentar mesmo após ter conquistado tudo o que sonhou profissionalmente. Ele não vê a hora de poder voltar para os palcos, após mais de um ano sem os shows tradicionais com público, por causa da pandemia.

“A arte não aposenta, não envelhece, a arte bebe do tempo, da sabedoria, da experiência e se expressa de acordo com cada época. O Roberto Carlos da Jovem Guarda não é o Roberto de agora, mas ele é Rei e manda as suas mensagens através da música. É o saber tirar do tempo as inspirações que tocam a sua alma e assim tocar o público as suas canções e inspirações”, avalia Zezé.

“Ainda mais depois de tanto tempo longe dos palcos e sem saber ainda quando vamos voltar a fazer shows. A sede de olhar nos olhos e ouvir o coro dos fãs com as suas músicas só aumenta. Estou com saudade de meus fãs, das correrias das viagens… Pretendo cantar até ficar bem velhinho ao lado do meu irmão.”

Luciano divide a mesma opinião e conta que após 30 anos de estrada, resgatou a primeira motivação para iniciar a sua carreira. “Quando a música chegou para mim, eu era só um adolescente que queria cantar. Conquistei muito mais que isso, prêmios, participações em trilhas sonoras de novelas, shows pelo mundo… O cantar simplesmente ficou mais de lado. Após 30 anos de carreira e de já ter conquistado tudo, o sonho volta lá no começo. Agora sonho só em cantar, cantar e cantar.”


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